Cinema

Os olhares para Jenny Beavan no palco do Oscar foram de dar dó… Deles, não dela

Se você é do tipo de pessoa que adora conferir os piores e os melhores looks de premiações, com certeza vai encontrar Jenny Beavan na primeira categoria nas listas do Oscar 2016.

Vencedora de Melhor Figurino por seu trabalho em “Mad Max: Estrada da Fúria”, Jenny tem 65 anos, uma carreira renomada e muitas indicações e prêmios para contar, inclusive um outro Oscar de Melhor Figurino, com Uma Janela para o Amor, de 1985.

Mas o que chamou a atenção da imprensa e da plateia na premiação foram suas roupas: calça e jaqueta de couro.

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Alguns dias antes, durante a premiação do BAFTA 2016, Jenny também levou o prêmio de Melhor Figurino para Mad Max: Estrada da Fúria, mas, novamente, o que chamou atenção foi o seu look. Alguns comentários ainda mais pesados disseram que a figurinista estava vestida como uma mendiga.

Press Room - 2016 British Academy Film Awards

Nos bastidores, Jenny finalmente se posicionou sobre os comentários e olhares que recebeu nas premiações.

“Estou muito feliz em falar sobre isso. Não sou de vestidos e absolutamente não sou de saltos, tenho problemas nas costas. Fico ridícula em um vestido lindo. Essa foi uma homenagem a ‘Mad Max’ (…). [Essa jaqueta] é Marks & Spencer com [bordado] Swarovski nas costas. Tive um problema no sapato e o glitter caiu. Estou me sentindo confortável e, até onde percebo, estou realmente arrumada!”

E Jenny estava bem vestida, porque Jenny estava confortável com o que estava usando. Ela estava lá por conta de seu belíssimo trabalho e foi por isso que levou a estatueta. Não pelas roupas.

Acontece que isso já aconteceu com muitos de nós, de ambos os lados: de ser apontado e de apontar a roupa de alguém. Como se isso interferisse no modo de trabalhar de tal pessoa.

Trabalhando com comunicação desde que me conheço por gente, em agências de publicidade, lidando também, claro, com blogueiros, já ouvi e soltei comentários nojentos sobre a aparência de alguém.

Me lembro que uma vez, quando estávamos aguardando o restante dos colegas para uma reunião, um de nossos líderes perguntou quem era fulana que também participaria, porque ele não lembrava que ela fazia parte da equipe. Expliquei quem era fulana e qual era a função dela. Ele prontamente soltou: “ahhh… eu não ia lembrar mesmo. Ela tá sempre com cara de cansada, né? Ninguém nota, né? Ela devia melhorar as roupas e passar um batomzinho.”

Como eu tinha acordado de pacová virado, também respondi prontamente: “ahhh, é ela sim. Mas nós estamos aqui por causa dela, ela trabalhou por essa conta. Então acho que a falta de batom não influenciou na hora do trabalho dela.” Passou um longo silêncio enquanto eu rabiscava a agenda já esperando ser demitido. Mas fulana chegou e a reunião continuou normalmente.

O episódio de Jenny Beavan serve pra gente parar pra pensar até onde estamos indo com nossos julgamentos e preconceitos sobre o que um profissional está ou não vestindo.

Jenny, não tenho problema em aprender lições e em me esforçar para mudar meu comportamento. Obrigado por seu posicionamento e, principalmente, por seu trabalho.

Continue confortável!

 

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