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Carta aberta aos que namoram à distância – aos que faltam coragem também

Bom dia.

Não sei exatamente quando foi, mas desde que uma amiga – hoje um pouco afastada – escreveu essa frase, eu nunca mais consegui pensar sobre o assunto sem me lembrar dessas palavras: “o amor é a virtude da saudade.”

Talvez eu ainda tatue isso um dia. Talvez não.

O contexto em que ela escreveu era um pouco diferente, mas quando o assunto é saudade, a gente nunca pode controlar onde ela vai se meter. A questão é que esse sentimento, além de carregar toda a pureza existente, também pode significar muitas certezas. É se baseando na saudade que se pode definir o que amamos no passado, amamos no presente e até o que vamos amar. (Foi a primeira e única vez que concordei com Renato Russo: dá sim pra ter saudade de tudo o que ainda não vimos.)

Já ouvi também muitas histórias sobre como pode soar errado falar de saudade no plural. Que não se pode sentir muitas saudades de algo ou de alguém. Que saudade é uma só. Pode ser a maior saudade do mundo, mas é uma só. Genuína, pura e quase intocável. Eu gosto dessa teoria.

Associar a saudade a coisas boas pode ser um exercício muito saudável pra mente. Pode levar a gente muito mais além. Faz a gente conhecer nossos próprios limites e descobrir que somos capazes de sentir coisas que nunca imaginávamos. Esse é um dos sentidos de se entregar. Além de descobrir o outro, se descobrir também.

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Desde que pensei em escrever esse post quis que soasse muito mais como um depoimento do que qualquer outra coisa. Como um incentivo de um amigo também, por assim dizer. Pois eu já tive medo de enfrentar a distância. Eu também já tive e ainda tenho algumas inseguranças. Eu também já perdi e perco horas de sono. Eu também já senti e sinto aquela dor de cabeça depois do choro. Mas não há nada que valha mais à pena do que isso; do que poder matar a saudade que nos mata; ser capaz de tocar e ser tocado sem precisar encostar.

(Esse texto também pode ser considerado, de certa forma, uma maneira de desejar feliz Dia dos Namorados, sejam distantes ou não. Também de dizer que amo a minha. E que por causa dela eu gosto muito mais dessa pessoa que me tornei.)

Imagens: Shini-art.

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O artigo escrito por:

Paranaense, capricorniano e tio da Livia. Vive a luta de tentar ver o lado bom das coisas, mas nem sempre dá certo. Ainda bem.